Luiz

Como?
O ano eu não lembro direito, eu sei que eu comecei a trabalhar aqui em 1992, deve ter sido em 1991. Eu trabalhava com o grupo teatral Boi Voador, a gente veio fazer um espetáculo aqui, eu administrava o grupo na época e aí tinha aquele lance de bilheteria, eu tinha que acompanhar e conheci a Vera, que ficava na Central de Informações, trabalhava na DIC (Divisão de Informação e Comunicação) – DDC (Divisão de Difusão Cultural) na época –, e a gente ficou super amigo logo no primeiro encontro, foi amor à primeira vista, a gente se deu muito bem. Ela fez a bilheteria em alguns dias pra gente e eu ficava com ela na bilheteria. Conversa vai, conversa vem, no final ela falou: “bem que você podia trabalhar aqui, né?”. “Eu adoraria”, eu falei. Nunca tinha entrado aqui – olha que loucura, né? -, eu não conhecia o Centro Cultural, vim a conhecer nesta época. Ela disse que ia ver com a diretora das Artes Cênicas se teria alguma vaga, alguma coisa, e eu não dei muita trela. Até me admirei quando ela me ligou pra falar que eu tinha uma entrevista com a diretora. Aí eu vim conversar e consegui a vaga de administrador das salas. Isso foi em 1992, eu comecei em agosto de 92, e tô até hoje neste lugar maravilhoso que eu adoro. Eu fiquei como administrador das salas, depois eu fui trabalhar com o Sebastião Milaré na Curadoria de Teatro, que depois juntou com a Curadoria de Música Popular e Erudita, e eu fiquei cuidando da parte administrativa das três curadorias. Depois eu fui coordenador da parte administrativa das curadorias, eu e o Agnaldo fomos meio que chefiar a área. Fui depois pra Coordenadoria de Projetos Especiais com a Priscilla e agora eu tô com a Luciana na Produção, no agendamento das salas, tô gostando muito também.

Onde?
Tirando as salas de espetáculo que eu adoro, principalmente o Porão, o espaço cênico, que eu acho um lugar mágico, tem a lanchonete com aquele jardim maravilhoso, eu gosto muito de ficar por ali, às vezes almoçar, tomar um café ali, é uma delícia… A Biblioteca eu gosto muito de frequentar também, o Jardim Suspenso também, que eu acho um lugar muito legal. No Porão teve uma peça com o Gilberto Gawronski, “A dama da noite”, era um monólogo, foi um espetáculo belíssimo. Teve outro monólogo no Porão, do Gero Camilo, que foi divino. Teve “A morta” na Sala Jardel Filho, lá pelos anos de 93, 94, com um grupo do Rio, que eu adorei, assisti com a Vera. Eu e a Vera, a gente tirava muito sarro do texto da peça, a gente lembrava de uns pedaços e ficava falando quando via alguma coisa engraçada, a gente comentava muito sobre essa peça. Os shows, bom, Angela Ro Ro, que eu assisti aqui e adoro. Eu até passei um mico com ela. Eu tava trabalhando lá na administração e cheguei antes de começar o show, fui lá no camarim falar várias coisas pra ela e falei: “olha, Ro Ro, não pode fumar no palco, né? Eu queria te pedir a gentileza de não fumar, senão o pessoal vai querer fumar, vai ser uma loucura, e aqui não pode”. “Não, tudo bem”, ela disse. Nesse dia eu tava trabalhando, a administração era do lado da Sala Adoniran. Daí eu tô lá na administração resolvendo várias coisas, entradas de outros espetáculos, e de repente eu ouço a Ro Ro gritando do palco: “Cadê o cinzeiro? Me traz o cinzeiro!”. Gente, eu falei: “Eu não acredito que ela tá fazendo isso!”. Os técnicos vieram me chamar correndo: “olha, vai lá que ela não vai continuar o show, ela tá gritando”. Resumindo: eu tive que entrar, sob vaias, aplausos, aquela gritaria do público, levar o tal cinzeiro pro palco, ela fez uma piadinha que eu nem lembro, eu tava tão nervoso, e o povo gritando… Depois foi motivo de sarro de todos os técnicos, as pessoas que me conheciam, foi muito engraçado. Até hoje o povo comenta do mico que eu paguei com ela.

Por quê?
É o que eu falo pra vários amigos meus. Todo mundo pra quem eu falo que trabalho no Centro Cultural diz “ai que delícia”. A gente sabe que não é delícia 24 horas, mas eu amo muito isso aqui, porque só o fato de você estar num local, você tá lá estressado na sua mesa com alguma coisa, você vai dar uma volta, vai ali na lanchonete, já vê aquele jardim que é uma delícia, ou você entra em alguma sala, tem um filme, um show acontecendo, um espetáculo infantil ou adulto… gente, pra mim não tem preço! É uma coisa que me faz ficar aqui, eu adoro aqui e acabo gostando cada vez mais, por ter toda essa diversidade aqui dentro, né? Nos fins de semana em que eu faço convocação, aquele monte de gente dançando aqui em vários lugares, eu acho muito legal isso, sabe, essa juventude que vem agora frequentar e dançar (que é uma coisa que eu sempre gostei, mas nunca fui afundo, era uma outra coisa que eu queria fazer na minha vida e não fiz)… Este espaço é mágico! A gente pode ficar irritado, estressado, uns minutinhos, mas é só você dar uma volta e pronto, passa, e é isso que me faz ficar cada vez mais aqui. Eu adoro este espaço, adoro mesmo.

Foto: Felipe Gonçalvez

Tags:, , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *