Celso

Como?
Eu moro aqui perto, na Vila Mariana, e lembro do prédio sendo construído. Sou arquiteto de formação, então eu tinha curiosidade de ver o que ele seria, como funcionaria. É um prédio que tem uma arquitetura muito diferente hoje, o que dizer há 30 anos, quando ele foi inaugurado, em 1982? Eu vim pra cá como funcionário em 1992. Eu trabalhava na Divisão de Pesquisas, que era uma divisão do Centro Cultural, mas que funcionava na Casa das Retortas, ali no Brás. E o que aconteceu foi que a Prefeitura decidiu dar uma outra destinação à Casa das Retortas e que a Divisão de Pesquisas viria pro CCSP de vez. Aí eu vim como funcionário e, dentro da Divisão de Pesquisas, eu era um dos arquitetos e, entre os arquitetos, eu fui, de certa forma, quem coordenou a mudança aqui pro Centro. Então, eu acompanhei toda a parte de acomodação da divisão, que hoje não existe mais, ela foi reorganizada. Mas a parte que o público ainda tem acesso é o Arquivo Multimeios. Eu fiquei por volta de 15 anos fora e voltei recentemente, em 2014. Nesse período em que eu fiquei fora, nunca fui um frequentador diário, mas eu vinha periodicamente, pra assistir a filmes da Mostra, e às vezes eu vinha à Biblioteca, porque a seção de arte especialmente tem um acervo muito valioso, não só como uma biblioteca municipal. Há livros aqui que você dificilmente vai encontrar em outro lugar, mesmo, por exemplo, na USP. E eu vinha muito também em função da agenda do Centro.

Onde?
Estes jardins (suspensos) a mim chamam a atenção porque são como uma praça pública. Muita gente, independente da programação ou não, vem aqui pra almoçar, pra tomar sol, pra namorar, e isso é muito bacana, no começo do Centro não tinha este espaço. E o jardim aqui da Vergueiro, como tem a escada logo ali na entrada, é até um pouco mais frequentado do que o jardim da 23, porque o pessoal tem que entrar no prédio e tal, fica com mais preguiça. Aqui é um lugar que me chama bastante a atenção, principalmente por causa dessa relação com o público. E um lugar que mudou muito no Centro, que é impossível não chamar a atenção, é o corredor onde fica o pessoal que faz dança, que foi algo que o público conquistou e é impressionante que isso não diminui, até aumenta, agora a gente tem a turma que vem ensaiar teatro, que fica espalhada. Não foi um uso planejado com certeza e é bem bacana. Acho que esses usos não programados do Centro poderiam ser mais inspiradores para as outras atividades do equipamento.

Por quê?
O Centro Cultural tem algumas coisas muito interessantes pra mim, entre elas os acervos. Mas, curiosamente, eu decidi procurar o Centro Cultural novamente porque havia tido uma grande exposição aqui, a última Bienal de Arquitetura. Não só por ser da minha área, mas acho que tem várias coisas interessantes que aconteceram nela. Ela trouxe muito público pro Centro Cultural e ocupou, de maneira bastante integrada, toda a área expositiva. Isso me chamou muito a atenção. O Centro Cultural, além de tudo, pela maneira como ele está integrado à cidade, pela maneira como ele foi instalado, implantado, é um local excepcional de discussão da arquitetura e da cidade. Acho que é uma pauta que o Centro deveria e poderia explorar mais. Ele é excepcionalmente bem localizado e tem características que até hoje são únicas, exclusivas ou, ao menos, muito raras na cidade.

Créditos
Entrevista, transcrição e edição: Vinícius Máximo
Fotografia: Luiza Formagin

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